terça-feira, 22 de abril de 2014

RAPADURINHA DE PARAIBUNA NA RECORD


 A rapadurinha do produtor Jotinha, de Paraibuna, foi objeto de reportagem da TV Record. Considerada o açúcar do bem, a rapadurinha é consumida por alunos da escola local e outras cidades. A rapadurinha vem fazendo tanto sucesso, que o produtor já está ampliando sua produção.
João Rural

www.tvchaocaipira.com.br
www.nascentesdoparaiba.com.br

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quarta-feira, 9 de abril de 2014

É Taioba, Beldroega...

          É TAIOBA, BELDROEGA...
Estivemos recentemente em Paraty, pra conhecer os restos da antiga Estrada Real. Por alí, subindo a serra, em direção à Cunha, encontramos as pedras carcomidas pelo tempo, com alguns trechos ainda quase perfeitos.
É de se imaginar quantos cascos de burros e mulas carregadas passaram por alí, durante pelo menos três séculos. Mas é de se valorizar os homens que enfrentaram esse árduo caminho, primeiro para retirar o ouro das minas gerais e, depois, descer com o café para o porto.
Aliás, é bom ressaltar que o calçamento do caminho foi feito somente no século XIX, para o transporte do café.  No período de 1720 a 1820, o caminho ficou quase abandonado, passando somente as cargas normais. O caminho foi feito em cima da antiga trilha dos índios Guaianases, bem antes da chegada dos europeus.
E andando pelas laterais desse caminho encontramos uma profusão de plantas renegadas atualmente. Tem beldroega, inhame, taioba, caruru e muita banana. Alí ficaram esses resquícios da alimentação natural que os viajantes da época comiam, adicionando quirera de milho ou fubá. Era o alimento que dava sustância para tanta caminhada.

Encontramos a beldroega lutando para nascer, entre as pedras das ruas de Paraty. Com certeza, descendente direta dos primeiros pés que alí nasceram, sabe-se lá quando...

Paraty - RJ
Paraty - RJ
Taioba
Beldroega

domingo, 23 de março de 2014

Perfil do pequeno produtor rural sustentável

O Instituto Chão Caipira está realizando um trabalho de pesquisa sobre o caipira e sua sustentabilidade na roça, principalmente no que se refere a alimentação. Recentemente a agrônoma Oscarine Prado esteve no Sítio do Seu João Camilo, no Bairro do Remedinho, em Paraibuna, onde fez um perfil da propriedade.
Este trabalho será publicado brevemente pelo Instituto.
Se você sabe de alguma pequena propriedade no Vale do Paraíba, que tenha um produção variada em pouca terra, tipo 1 a 2 alqueires, nos comunique pelo e-mail do diretor cultural joaoruraal@bol.com.br

Oscarine com o produtor João Camilo

sábado, 22 de fevereiro de 2014

O homem borracha que virou livro


O Instituo Chão Caipira “Malvina Borges de Faria” lança mais uma publicação da coleção Caderno Cultural. Desta vez o homenageado é o paraibunense Zé Borracha, conhecido pelos seus causos e piadas sobre as pessoas locais. O lançamento acontece dia 2 de Março, de manhã, domingo de carnaval, no Largo do Mercado e vai ter o autor autografando e contando causos.
Zé tem uma característica muito especial de contar seus causos, pois não fala besteira em hipótese nenhuma.
Pessoa simples da roça, nasceu José Antônio dos Santos, em 8 de Julho de 1951 no Bairro do Ribeirão Branco, filho de Vicente Neves dos Santos e Pedrina Soares de Faria. Depois de uma infância roceira, com sete anos foi morar em Paraibuna, na Rua do Dominguinho. Como a família era católica, Borracha foi para a cruzada ser coroinha na Igreja Matriz. A irmã era costureira e fez um terninho branco para ele e um irmão. Andavam juntos pela rua com destino à missa. E, assim, seu irmão passou a ser conhecido como papagaio e ele periquito. Estudou até a admissão e depois voltou pra morar no Bairro Escaramuça, onde ficou um ano, ajudando o pai na produção de leite. Em 1970, foi embora para São José dos Campos, onde ficou seis anos trabalhando na Avibrás e General Motors como colocador de ferramentas. Casou-se em 1973 e teve três filhos e dois adotivos. Tem quatro netas e uma bisneta. O primeiro filho, já falecido, virou o Borrachinha. Em 1976, voltou pra Paraibuna e foi trabalhar num bar de seu tio em frente ao cemitério, com uma borracharia ao lado. Em seis meses, comprou este negócio do seu tio, para ficar a vida inteira. Nasceu assim o Zé Borracha.A contar causos, começou na General Motors, onde conheceu outros contadores. Passou então a decorar causos e recontá-los, principalmente
adaptando com a realidade do Ribeirão Branco. Escreveu no Jornal Folha da Serra; participou de concursos e, em 1983, fez o primeiro show no Caipira Restaurante e Bar, do João Rural. A parti de então fez apresentações em vários locais e festas.Um grande momento como contador de causos foi no programa Viola Minha Viola, gravado em Paraibuna. No Revelando São Paulo, apresentou-se várias vezes e, mais recentemente,
gravou com Vinicius Valverde para o Papo Vanguarda. O apresentador considera uma das melhores entrevistas que fez para seu programa. “Istandapi”? Ele não sabe o que é isso! Achava até que era uma doença
pegajosa... Quando ouviu a explicação, descobriu que fez isso a vida inteira, mas o jeito caipira sempre sobressaiu.
Considera que o causo não acaba, a cada dia pode aparecer uma nova  história. Muitas vezes uma coisa insignificante pode virar um causo. Um detalhe interessante: em seus causos não há sequer uma besteira, uma
baixaria. “Hoje em dia, causos têm que ter apelação, palavreado pesado, o que não vale a pena. Pretende continuar na borracharia onde fez a vida, mas quem encosta por ali sempre leva um causo de graça.

João Rural


terça-feira, 28 de janeiro de 2014


Cambuci


João Rural com receita na Discovery

E Paraibuna vai parar no Discovery Chanel. A atração é o Cambuci e a receita da costelinha com molho desta fruta preparada pelo culinarista João Rural.
Cutuque e veja a reportagem


terça-feira, 17 de setembro de 2013

O peixe da santa pode ser o surubim



O culinarista João Rural e o biólogo Danilo Caneppelli, uniram seus conhecimentos e pesquisas em cima de uma nova visão sobre os peixes servidos a comitiva do Conde de Assumar no dia do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida.
O culinarista é taxativo em afirmar que "só pode ter sido essa espécie de peixe, que era o mais abundante e maior nas águas do rio, naquela época.”
A análise foi publicada no recente livro "No Fundo do Tacho", de João Rural, onde ele coloca ainda mais assuntos sobre a formação da comida caipira no Vale do Paraíba, no princípio do Brasil português;
O ESTUDO
O atual lendário Rio Paraíba do Sul viveu centenas de anos com outro nome. Foi só os invasores chegarem e a cobiça indígena se instalou na região. Tribos se guerrearam e aniquilaram os naturais da região do Vale do Paraíba. Silvícolas chamavam esse rio de o Rio do Sorobis, devido ao peixe que aqui tinha em profusão: o Sorobis, hoje conhecido como Surubim do Paraíba e que está em extinção.
O rio era assim chamado devido a esse peixe ser o maior do lugar, chegando a pesar até 15 quilos, e, sendo peixe de couro, era mais fácil comer assado na trempe, além de render muito mais.
Em 1601, o naturalista Guilherme Glimmer, em sua passagem pelo Vale do Paraíba, mencionou que o rio se chamava Sorobis, devido ao peixe existente em suas águas.
Nos últimos dez anos, pesquisadores da CESP, Centrais Elétricas de São Paulo, vêm pesquisando o peixe na Estação de Piscicultura de Paraibuna. O objetivo é reproduzir a espécie para soltura nos rios Paraíba do Sul, Paraibuna e Paraitinga.
O que o surubim teve a ver com Nossa Senhora Aparecida?
Em meados de 1717, Dom Pedro Miguel de Almeida Portugal, futuro Conde de Assumar e governador das províncias de São Paulo e Minas Gerais, fez uma viagem de Lisboa à Vila de Nossa Senhora do Carmo (atual Mariana). No caminho, estava a Vila de Guaratinguetá, que depois foi fatiada em várias cidades, entre elas Aparecida do Norte.
Pois bem, quando chegou a notícia, para os lados de Aparecida, de que o Conde de Assumar passaria ali, três pescadores – Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves – foram convocados a sair em busca de peixes no Rio Paraíba para um banquete que seria oferecido ao conde.
Passaram horas e horas pescando, mas peixe que é bom não aparecia. Até que João Alves lançou a rede e pescou a imagem de Nossa Senhora da Conceição... Sem sua cabeça. Jogou novamente a rede no rio e apanhou a parte que faltava da santa. A partir de então, como um milagre, quase que não tinha mais lugar na rede para a quantidade de peixes que se enroscava nela.
Ao conde foi oferecido, enfim, um banquete. O peixe? Ah, sim, reza a lenda que o peixe era o surubim. A santa? Em 1929, Nossa Senhora Aparecida foi proclamada “Padroeira do Brasil” por determinação do Papa Pio XI.
A viagem do Conde de Assumar foi registrada em um diário, publicado no livro Um Comerciante do Século XVIII, de Maria José Tavora e Rubem Queiroz Cobra.
 “(...) Tivemos a fortuna de tirar um pouco de peixe, que comemos cozido com água, sem azeite nem vinagre, porque não havia” – numa praia, nas imediações de Guaratinguetá.
O PEIXE
Segundo o biólogo Danilo Caneppelli, da CESP, o denominado cientificamente Steindachneridion parahybae é um bagre que pertence à ordem dos Siluriformes, família Pimelodidae. Tem corpo achatado, com o dorso escuro marcado por manchas pequenas e alongadas, seus olhos são pequenos devido à predominância de atividade noturna e sua percepção do ambiente é auxiliada pela presença de barbilhões Endêmico da bacia do rio Paraíba do Sul e com biologia pouco conhecida, sua ocorrência natural é descrita normalmente associada a poções não muito profundos e a áreas intermediárias como os remansos do domínio das ilhas fluviais e os encontros de rios, porém, recentes capturas foram realizadas em meio à corredeiras, remansos profundos acima de cachoeiras e no período noturno em regiões mais rasas do rio, provavelmente quando saem em busca de alimento.